Nossa Rota

Experiencia Egipcia I

Postado por | Postado em Blog do Marô | em 04-05-2011

Travessia: Port Suakin (Sudao) – Port Ghalib (Egito)

Foi uma passagem marrenta. A partir do Sudao os ventos do norte predominaram, e as vezes, vinham com muita forca. E qualquer aumento de vento, traz um consequente aumento das ondas. Haviam algumas boas ancoragens, mas tambem queriamos avancar. A estada no Sudao foi precaria. Port Suakin nao tinha quase nada. Fomos a Port Sudao, com mais de 1 milhao de habitantes, e tambem nao tinha quase nada. Abastecemos o barco com o que encontramos. Nao faltava muito para chegarmos no Egito, onde havia cidades bem equipadas. So teriamos que abrir as latas de sardinha e atum se nao conseguissemos pescar nada.

Saimos com bons ventos e ancoramos no final do dia depois de uma boa velejada de 10 horas. Paramos num braco de mar muito especial, abrigado por uma rede de canais que iam ate 5 quilometros terra adentro.Estavamos terminando de cruzar o enigmatico Sudao, na sua costa nordeste. Ainda faltavam 400 milhas (uns 800 km) e saimos cedo no dia seguinte. Deu vontade de ficar alguns dias por ali, mergulhando e pescando, mas a vontade de tomar uma cerveja gelada vinha desde Massawa.

No dia seguinte, entao, aproveitamos uma pequena janela que se abriu nesse terrivel Mar Vermelho e avancamos pela noite. Seria bom para adiantar a viagem. Fui acordado no meio do descanso para ajudar o Capitao a timonear o Vaga. Eram 6 da manha e os ventos voltaram mostrando servico! O ventou chegou com furia e so foi se acalmar depois do meio-dia. Foram 5 ou 6 horas atras do timao. A gente revezou o procedimento a cada 2 horas.

Chegamos em outra linda ancoragem. Desta vez, aos pes de uma magnifica cordilheira de montanhas situadas no sudeste do Egito. Ja estavamos no mundo dos antigos Faraos. Pela manha, o mar amanheceu calmo e mais uma vez aproveitamos a janela. Navegamos 1 noite e no final do outro dia, avistamos Port Ghalib. O vento diminuira e nem mesmo a forca do motor nos fez chegar durante a luz do dia. Aportamos, contra as normas do Vaga, de noite. Felizmente o mar estava uma piscina, e mesmo nao avistando as luzes de sinalizacao conseguimos avistar o complexo: Marina, Hotel, Shopping, na proa.

Os Egipcios entraram no barco e revistaram tudo. Deram-nos um calhamaco de formularios, e ainda proibiram a saida da tripulacao por uma noite. A famosa quarentena. Fomos liberados no dia seguinte depois da chegada do pessoal da Imigracao. Conseguimos os vistos egipcios validos para um mes e foi a despedida da nossa tripulante Emily. Ficou 15 dias a bordo. Atendendo o nosso desejo, um rapaz foi comprar uma pizza para comermos a bordo. E foi so.

Foi bom ter chegado num marina. Desde Oman, ha 40 dias, nao sabia o que era tomar uma ducha. No barco, quase sempre em regime de racionamento de agua, somos condicionados a banhar-nos com 2 litros. Uma garrafa pet com a tampa furada. E engracado assistir ao desfile dos velejadores que no inicio da manha se revezam indo e vindo das duchas, ostentando suas toalhinhas aos ombros e um largo sorriso na face. Tamanha simples felicidade. Preciso sempre voltar ao Vaga para me lembrar de como nao precisamos de muito para obter um bom grau de felicidade.

Senti que cumprimos uma importante missao. Ainda ha muito mar pela frente, principalmente, se considerarmos a grande travessia do Atlantico que vira logo mais em setembro, mas chegar ao Egito depois de termos enfrentados os piratas e o Mar Vermelho, e uma vitoria. Agora, falta menos de 10% ate chegarmos no Mar Mediterraneo. Estamos no Egito, um pais menos radical e acostumado ao turismo e aos modos ocidentais, em geral. Sem duvida, um pais dos mais desenvolvidos nesse conturbado mundo arabe.

Em 1995 estive nesse pais, mas pela falta de tempo e um orcamento restrito nao me aventurei alem da capital, Cairo. O sul do pais e bastante diferente do norte, mais cosmopolita e industrial. No sul, predomina uma cultura agropecuaria e baseada em pequenos comercios e no turismo. Desta vez, nao ia deixar passar a oportunidade. Iria a Aswan e Luxor. Deixe o Vaga por alguns dias em Hurgada e viajei. Sim, depois de Port Ghalib, navegamos mais uma noite ate chegarmos no proximo porto, uma grande cidade egipcia – Hurgada. La, finalmente encontrariamos o Fraternidade, o barco de Aleixo Belov.

Belov nao estava, mas fizemos uma festa com o resto da tripulacao. Chamamos alguns amigos e fizemos o Feijao do Vaga. Rolou muita musica e cerveja gelada. E nesse mesmo dia, recebemos a novissima tripulante do Vaga, a noivaiorquina Rossini.

Aswan

A chegada em Aswan foi uma odisseia. O onibus demorou 11 horas para completar menos de 500 km. Parava e parava. Me lembrou os onibus que pegavamos, as vezes, para Cruz das Almas, eu e minha mae, na decada de 70. Tudo por aqui parece que parou no tempo, as pessoas e os comportamentos. Para fechar em grande estilo o grande Mercedes faltou gasolina a 10 quilometros do destino. Tive que completar a percurso na traseira de um pequeno Ford. Mas cheguei no hotel.

Em Aswan, fui ate o famoso templo de Abu Simbel. Sao dois templos imensos em homenagem ao Farao Ramses II e sua esposa (favorita) Nefertari. Os templo ficam a beira do lago Nasser, proximo a fronteira do Sudao. Alem do inestimavel valor das antigas construcoes, existe outro aspecto igualmente impressionante. Em 1968, quando da contrucao da grande represa, os templos seriam inundados se a comunidade mundial nao se mobilizasse em prol dessas riquezas culturais. Todo o complexo foi desmontado e remontado mais de 100 metros acima do atual sitio.

Dei uma velejadas nas falucas, que sao umas especies de saveiros daqui. Margeamos o Nilo e passamos por algumas ilhotas. O cara me enrolou. Disse o passeio era de uma hora, mas na verdade ele cobrava por hora de passeio. Acabei pagando 3 vezes mais do que me parecia o acordo.

Alias, como sao “sabidos” esses comerciantes egipcios. Alem desse episodio do barco houve um outro. O cara que me arranjou o hotel nao trabalhava no hotel como eu havia pensado. O interessante e que ele estava no balcao e me cobrou os preco com um pequeno agio que ele pegou como comissao. Quando percebi que ele tinha sumido de la eu perguntei os precos regulares. Fiz aquela cara tipica de quem foi trapaceado. O funcionario percebeu e deu risada tambem. Rimos juntos. Acho que nem em Salvador, com aqueles ciganos e malandros do pelourinho, e assim…

Meio enraivado com Aswan, embarquei rumo a Luxor, ao norte. Naveguei pelo Nilo e pensei nos grandes exploradores e observadores do mundo: Darwin, Livinstone, Verger. Continei a contemplar o rio e me enchi de inspiracao. Antes de anoitecer, paramos num sitio arqueologico muito bonito. o complexo de Komondo. Um antigo templo farao. Continuamos a viagem e me reservei ao meu camarote. Tinha ar-condicionado.

Luxor

Quando amanheceu estavamos na metade do caminho entre Aswan e Luxor. Peguei um transporte local – uma van – e cheguei ao meu destino 1 hora e meia depois. Em Luxor, primeiro fui ao templo de Karnac. Na minha opiniao, uma das estruturas mais lindas que ja vi, apesar de estar em ruinas. A beleza e a precisao das centenas de pilastras de mais de 30 metros e espetacular. No outro dia fui ao templo de Luxor. Ficava perto do albergue e fui andando. Muito lindo tambem, mas acabei ficando farto de tanto templo, hieroglifos e homem vestido de mortalha. Fiquei absorto em leituras no hotel ate dar o dia e a hora de me picar. Peguei um trem de Luxor ate Cairo.

Comentários

Existem (2) Comentários para Experiencia Egipcia I

  1. É isso ai Marô Habib! E as iguarias? Rolou comida maluca?

  2. Opaaa!!!
    Como foi en chipre? Aki Manu, emitindo desde o catamaran do francés de merda!!! jajajja..!! espero q vexades isto, non tenho o voso e-mail, si estades en turkia, tenho novas para vos. en Kas hay unha marina nova e agora e FREE!! NO PAY MY FRIEND!! imos estar aki este mes. si pasades, xa o sabedes, soamente hay q pagar o consumo de electricidade e auga, a marina e gratis agora…. 36º 12´36 N 29º 37´47 E
    Bom vento viajeiros…

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