Nossa Rota

Sonho tem tamanho ?!

Postado por | Postado em Blog do Crisa | em 03-12-2011

Essa historia comecou ha mais de 20 anos atras. Quando eu tinha 13 anos de idade, meu pai, naquela epoca ainda velejador iniciante, me levou para conhecer um “frances maluco que atravessa o atlantico todos os anos porque gostava de curtir o verao, assim que ele passa metade do ano na europa e a outra metade no Brasil”.

E importante lembrar que naquela epoca, ha uns 25 anos atras, o mundo era bem diferente.

Comunicacao entre diferentes culturas era feita por carta, informacao a respeito de qualquer coisa era muito cara e se chamava “know how”, e velejar ao redor do mundo era assim digamos, “coisa do outro mundo”, portanto, para mim, conhecer esse velejador frances foi literalmente como conhecer uma pessoa do outro mundo! E isso me fascinou. Nesse dia, aos 13 anos de idade, eu decidi, “vou dar uma volta ao mundo em um veleiro”.

Depois desse dia fazer um resumo da minha vida e muito facil. Foram 20 anos sonhando (e juntando dinheiro), e os ultimos 5 anos realizando esse sonho. Hoje 03/12/2011, chegamos em Salvador, completando uma circunavegacao que durou quase 5 anos, com mais de 30 paises visitados e mais de 40.000 milhas navegadas.

 Um dos donos da Ambev, Marcel Telles, tem uma frase que me facinou e inspirou durante anos “Sonhar grande da o mesmo trabalho que sonhar pequeno”. Quando eu conheci o Marcel, ha 15 anos atras, ele tinha como sonho, transformar a Brahma na maior cervejaria do mundo. Naquela epoca todo mundo chamava ele de maluco, visionario, utopico, essas coisas que solem ser chamados todos os grandes sonhadores, hoje a Ambev e a maior cervejaria do mundo e o maluco em questao um dos 50 caras mais ricos do mundo.  Portanto fica a minha pergunta, que tamanho devem ser os nossos sonhos?

Para mim sonho tem que ser dificil (grande) porque para conquistar um sonho grande voce precisa se reinventar, adaptar-se, buscar ver as coisas sempre de um angulo diferente, em fim, se superar como pessoa … mas para mim o mais importante mesmo, e que quando voce corre atras de algo grande, mesmo que voce nao possa transformar-lo em realidade, voce ja vai ter aprendido tanta coisa, que isso por si so, ja valera a pena sonhar.

Fico feliz de haver realizado um sonho de infancia mas nao vejo a hora de comecar a seguir outro maior ainda, porque se tivesse que viver a minha vida sem um grande sonho, seria como morrer um pouquinho a cada dia.

 Aquele abraco!

Capitao Crisa

Rumo ao Brasil

Postado por | Postado em Blog do Crisa | em 04-10-2011

Chegamos as Ilhas Canarias e ja posso sentir o cheirinho de churrasco e acarajé! O Vaga esta pronto e amanha comecaremos a jornada de descida ate o Brasil. Digo descida porque a previsao de tempo afirma que teremos vento e ondas a favor, de forma que a viajem de retorno promete ser maravilhosa.

Alias, olhando a previsao de tempo fica facil de entender porque os nossos amigos portugeses, tentavam contornar a Africa e acabaram chegando no Brasil. O vento na costa da Africa é sempre NW, o que empurra o barco para a zona de convergencia onde não existe vento, dai eles devem ter ficado a deriva varios meses ate conseguirem, em um golpe de sorte, cruzar o atlantico e bater no Brasil. Digo “em um golpe de sorte” porque depois de cruzar o equador, a viagem fica facil, só que o destino tem que ser America do Sul, se eles tentassem voltar para a Africa, com aqueles barcos de vela quadrada (sem orça), a viajem teria sido impossivel e o destino certo seria a morte completa da tripulacao.

Portugueses e suas trapalhadas a parte … daqui velejaremos até o arquipelogo de Cabo Verde em aproximadamente 10 dias de travessia, reabastecemos e partimos de novo rumo a Recife ( +/-  15 dias).  A ideia e chegar em terra brasilis no comecinho de novembro. Os amigos ja estão preparando aquele churras com muita cerva gelada!

Aquele Abraco!

CC

Vagabond no Egito

Postado por | Postado em Blog do Crisa | em 18-09-2011

Na passagem pelo Mar Vermelho fizemos uma parada em Ismalia e fomos ate o Cairo para visitar as famosas piramides do Egito. Foi uma experiencia interessante, principalmente a parte que eu decidi andar de camelo, todo desengonçado é claro!

Confiram o video!

Video Travessia Oceano Indico

Postado por | Postado em Blog do Crisa | em 02-09-2011

Novo video da travessia no Oceano Indico. A parte mais critica da viajem nesses ultimos 4 anos. Piratas, problemas tecnicos, comboios … Check it out!

Ele ou Ela ?

Postado por | Postado em Blog do Crisa | em 10-08-2011

Logo que comecei a viajar me lembro que a primeira coisa que me chamou atenção, quando conversava em ingles sobre barcos, foi que o pessoal de lingua inglesa chama barco de “She”, ou seja, em ingles, barco é feminino.

Minha primeira reação foi “De jeito nenhum vou chamar o Vaga de ela, tá doido,  ele vai se retar comigo!”

Passada a indignação inicial e por pura curiosidade, resolvi pesquisar mais para entender porque que a galera chamava barco de “Ela”. Para minha surpresa, todas as pessoas que eu perguntei me responderam o mesmo “Because a boat is like a woman, needs lots of maintenance”, traduzindo, “Porque um barco é como uma mulher precisa de muita manutencao” … tenho que admitir que achei engraçaadíssimo, inclusive porque a minha pouca experiencia nautica naquele momento, nao me permitia concordar ou não, com a frase.

Agora depois de 4 anos velejando tenho que admitir, barco é igualzinho à mulher. Se não der atencao já era … mas essa não é a pior parte, a pior parte vem quando você descobre que dar atenção sempre sai muito mais caro do que voce imaginou inicialmente.

Exemplo claro aconteceu comigo essa semana.  O Vaga estava perfeito, tinha meses sem nenhum problema até que do nada, vazamento na rabeta … comecou o inferno! Tira o barco da água, motor pra fora, pinta isso, arruma aquilo … pra encurtar a historia e dar razão aos meus amigos gringos, o orçamento inicial eram R$ 6.000, orcei como pior cenario R$ 7.500 e a conta final: R$ 9.500!! Me digam vocês, tem ou não tem razão os nossos colegas?!

Agora o ponto mais interresante de toda essas historia, que explica porque mesmo sabendo de tudo isso voce nao consegue viver nem sem barco, nem sem mulher.

Voltando do banho, super cansado, depois de mais de uma semana trampando como doido e com o orçamento estouradasso … olho o Vaga, com tudo zeradinho, bonitão, brilhando e penso: “Eita mulher cara da zorra, mas ela ta que ta!”

Bem … eu continuo sem coragem de chamar “Ele” de “Ela” … mas que de vez enquando da vontade, isso dá!

Abraco!

Crisa

Quem não sonha estar num veleiro?

Postado por | Postado em Blog dos Convidados | em 29-07-2011

Por: David Fadul Alves Dias, o Davinho.

Quem não sonha estar num veleiro, em pleno mediterrâneo, curtindo o mar, o sol com os seus melhores amigos? Uma experiência inesquecível, um sonho realizado.

Desde que o Vagabond deixou as águas brasileiras para se aventurar nos mares do mundo tenho acompanhado meu amigo Cristiano, Mario e Rafael nesta aventura. Os dois primeiros, amigos de infância, destes que agente considera como irmão e que até participam mais de sua vida que os de mesmo sangue.
Nestes anos, vários outros brothers já incrementaram esta aventura, mas confesso, para os que me conhecem desde a adolescência, tenho “espinhas” encravadas, sonhos não realizados devido aos caminhos e trilhas que a vida me levou até pouco tempo atrás. Mas como toda vida dá suas reviravoltas, uma espinha foi retirada e pude levantar âncoras com o Vagabond.

Destino: Sicilia na Itália, mais precisamente em Palermo e uma velejada até Ustica, uma ilha ao norte de beleza superior e vida calma. Suas casas e ruas são características da cultura italiana e seu povo, já conhecido no mundo pela conversa aos gritos, pelos gestos exagerados apesar de não entendermos nada. Se a conversa é sobre parentes, parecem que estão brigando, uma conversa informal parece discussão sobre a conta num barzinho. Boas risadas não sobraram.

A culinária, nem se fala, as massas são deliciosas! Seja pão ou pizza os italianos sabem fazer como ninguém! Deixam a desejar nos mariscos, nosso forte aqui na Bahia. Não troco uma lambreta cozida pelos mexilhões deles! Não tem muito o nosso tempero baiano.

Mas não posso aqui ficar falando de Ustica, não sou expert em textos descritivos sobre locais e culturas como nosso amigo Marô. Vou falar particularmente sobre minha experiência no Vagabond.

Estar num veleiro, já estive. Mas nada mais que 2 dias e com estrutura e conforto das marinas. Ter água e dinheiro de sobra pra fazer muitas regalias. O projeto de dar a volta ao mundo é realmente uma experiência de sobrevivência, onde você tem que estar preparado para enfrentar extremos, de corpo e psicológicos. Aprendemos muitas lições de vida e tirar proveito disto é sabedoria. Cristiano é um cara que, com certeza, tem o equilíbrio e a coragem que um verdadeiro Capitão necessita. Não tem como evitar surpresas ruins, mas a capacidade de poder decidir e resolver, sim, ele tem. Experiência conta muito e a leitura e interpretação da natureza pode ser o diferencial.

Quando saio do conforto do meu lar, das regalias que estou acostumado e me coloco dentro de um veleiro, onde existem regras e normas, é difícil. O espaço é pequeno e se acostumar logo é preciso (pareço o Meste Yoda falando). Saber respeitar o próximo e, principalmente, ter a humildade para perceber que lá dentro somos todos iguais, nem mais, nem menos. Hierarquia é necessário para saber o papel de cada um.

Tentei me apegar a estes pontos para fazer que minha estadia no Vagabond não fosse um fardo e sim, uma soma. Mesmo vindo de uma ressaca “dus inferno” chegamos ao aeroporto de Palermo e fomos recepcionados pelo brother Crisa, que nos levou direto para a marina, estávamos cansados, mas a alegria de rever um grande amigo, não tem preço. Leopito, que me acompanhou nesta empreitada, levou uma lembrancinha de Barcelona onde estivemos antes, além, é claro, de 2 litros de whisky que iriam ser de suma importância para nossa estadia.

Ficamos surpresos em ver que o Vagabond estava inteirinho, recém reformado e pronto para a volta pro Brasil. Crisa já havia feito as compras dos mantimentos e logo ordenou eu e Leopito para trabalhar (regra básica pra quem chega no Vaga). Fomos logo condecorados como marinheiros e fomos limpar o Vaga. Uma combinação descontraída de trabalho e conhecimento. Eu e Leopito demos boas risadas. É defensa, nós difíceis, genoa, retranca, ding, com o tempo se tornam palavras simples.

A ida até Ustica pra mim não foi tão boa, fiquei um pouco enjoado e aquela coisa de não querer sair do lugar, mas foi bom apreciar a paisagem. Não pescamos nadinha, aliás as informações são de que os peixes do mediterrâneo está acabando e a pesca cada vez mais difícil.

Ustica foi avistada depois de 7 horas de velejada. Pegamos uma bóia em uma baía aparentemente tranqüila, de praia com pedras, sem areias, alias as praias são todas sem areia. Ficamos ali onde aproveitamos as belezas da ilha, alugamos scooters e demos voltas, fizemos churrasco e aproveitamos pra colocar os papos em dia e curtir bons momentos que uma amizade de anos podem proporcionar. Tomar banho no mar mediterrâneo é uma experiência inesquecível, a água é de um azul que nunca vi aqui no Brasil, segundo Crisa, a cor da água é um reflexo do fundo e não da própria água do mar. Conhecemos amigos, bebemos e apreciamos um por-do-sol que poucas vezes presenciei. Na saída o mar mudou, Leopito tinha xantado a pedras as 6 da manhã: – Crisa, todo mundo já deu o fora, o mar tá agitado! Tivemos de pegar, Cristiano e eu, o bote para desamarrar as defensas da bóia e retirar o Vaga dali. Momentos tensos, o mar tava muito agitado e tive de me equilibrar muito para não cair na água. Mas conseguimos ao final de tudo soltar as amarras e partir. Como não tinha condições de ir em terra por ali, as scooters ficaram pra pegarmos depois através da marina mais traquila.

A volta de Ustica nos revelou um Mar Mediterrâneo que nem o próprio capitão tinha visto. Ondas altas, mar agitado, sobrou até pra Leopito que tomou um banho quando uma onda nos pegou pela lateral. Nada de peixe na volta também. Chegamos a Palermo e ancoramos em um ponto confortável, águas calmas e movimento só de dia, das lanchas e veleiros. À noite conseguimos experimentar algumas iguarias da região. Os bares e comerciantes expõem os mariscos e colocam duas panelas ferventes. O cliente escolhe o prato e num instante tá pronto. Experimentei tudo acompanhado de um bom vinho.

Passamos mais uma noite a bordo do Vaga em Palermo. Foram 4 noites inesquecíveis. Fico feliz de ver que Cristiano está tranqüilo e tão habituado a vida no mar que o tempo é um companheiro fiel, não há pressa, há apenas viver tudo pelo lado positivo. Equilíbrio, ponto forte que ele se tornou um expert no assunto, mesmo quando as diferenças são tão drásticas. Personagens com personalidades diferentes, onde o espaço pequeno fornece todos os ingredientes necessários para o caos. Mas, em suma, nada consegue quebrar o que a amizade de uma vida construiu. Fico feliz de poder ter realizado este sonho e agradecido ao meu amigo Crisa por ter me proporcionado isso. Já penso em voltar pro Vagabond em outra oportunidade, quem sabe em Fernando de Noronha e chegar com ele em Salvador, mesmo que não dê, só de ver de terra o Vaga chegando na Baía de Todos os Santos com o sorriso de CC no rosto já vai ser uma recompensa. Volte bem meu amigo! Obrigado!

David Fadul Alves Dias, o Davinho.

Experiência Egípcia II

Postado por | Postado em Blog do Marô | em 23-05-2011

Fui enganado, de novo! Dessa vez foi engraçado porque eu previ o desfecho. Quando embarquei no velho trem de Luxor, no sul do Egito, para o Cairo, fui chamado pelo responsavel pelo vagão de passageiros, ou algo assim. Me chamou para o lado e mostrou-me uma cabine com 3 poltronas vazias. E disse. “You go sleeping”. Apareceu outro funcionario, talvez o fiscal, fazendo uma cara de aquiescência. Eu disse, para ser bem pragmatico: “Sleep. Cairo. Ok?”. E aquelas caras arabes desfizeram-se em mesuras. “Yes, yes, yes”. Dei uma gorjeta para os dois picaretas e fui deitar nos tres lugares. Eles seguraram os assentos ate um pouco mais da metade da viagem (um total de 9 horas). Quando os miseraveis trocaram o turno, quando mudaram os funcionarios, fui tocado varias vezes na perna ate tomar um susto ao acordar vendo um barbudo arabe reclamar um assento para si. Mas eu sabia… Acordei mal humorado, mas acabei dando risada.

Aprendi a dizer 3 coisas em arabe. Tornam-se naturais depois de 2 semanas no Egito. Primeiro, Shukran, que significa, obrigado. Depois, Baksheesh, gorjeta. E Habib, querido. Quando um desses ambulantes seguram um turista pelo braço e fala: “You are MI habib”, sai de baixo! E se falar: “Baaarazil, good beoble”, corra.

Me sai muito bem de uma nova tentativa ousada de vendas. Ouvi um tipo gritar de uma maneira especial: “Baarazil, I know you”. Eu pensei, esse cara quer o que? Ai ele me pegou pelo braco e falou aquelas malditas palavras do paragrafo anterior. Ja nao posso ver essa gente trocando o P pelo B que lembro da figura. De repente, sou puxado 90 graus a direita e entro num imenso bazar. Eu tentei dizer que ia ao museu egipcio, mas o cara me levou pelo braço dizendo que o museu estava fechado para turistas naquelas proximas horas. Uma lorota danada. Havia um velho com cara de sabichão atras de uma mesa bem ornamentada de motivos egipcios. Pensei: vou ter que acionar o plano b. Enquanto eles foram servir um cha, eu pulei da cadeira e em mais 5, 6 passadas esquivas, me pirulitei da loja. Que suplicio! Olhei para tras e vi a dupla, um gesticulando com bracos desesperados; outro, mostrando-me o copo de cha e um pires. Sai correndo, atravessei a rua e não olhei mais para trás. Continue lendo »

Experiencia Egipcia I

Postado por | Postado em Blog do Marô | em 04-05-2011

Travessia: Port Suakin (Sudao) – Port Ghalib (Egito)

Foi uma passagem marrenta. A partir do Sudao os ventos do norte predominaram, e as vezes, vinham com muita forca. E qualquer aumento de vento, traz um consequente aumento das ondas. Haviam algumas boas ancoragens, mas tambem queriamos avancar. A estada no Sudao foi precaria. Port Suakin nao tinha quase nada. Fomos a Port Sudao, com mais de 1 milhao de habitantes, e tambem nao tinha quase nada. Abastecemos o barco com o que encontramos. Nao faltava muito para chegarmos no Egito, onde havia cidades bem equipadas. So teriamos que abrir as latas de sardinha e atum se nao conseguissemos pescar nada.

Saimos com bons ventos e ancoramos no final do dia depois de uma boa velejada de 10 horas. Paramos num braco de mar muito especial, abrigado por uma rede de canais que iam ate 5 quilometros terra adentro.Estavamos terminando de cruzar o enigmatico Sudao, na sua costa nordeste. Ainda faltavam 400 milhas (uns 800 km) e saimos cedo no dia seguinte. Deu vontade de ficar alguns dias por ali, mergulhando e pescando, mas a vontade de tomar uma cerveja gelada vinha desde Massawa.

No dia seguinte, entao, aproveitamos uma pequena janela que se abriu nesse terrivel Mar Vermelho e avancamos pela noite. Seria bom para adiantar a viagem. Fui acordado no meio do descanso para ajudar o Capitao a timonear o Vaga. Eram 6 da manha e os ventos voltaram mostrando servico! O ventou chegou com furia e so foi se acalmar depois do meio-dia. Foram 5 ou 6 horas atras do timao. A gente revezou o procedimento a cada 2 horas. Continue lendo »